Como cobrar consultas e avenças por Multibanco e MB Way sem conferir transferências

Escrito por André Antunes, formador de IA para empresas·Atualizado em 29 de setembro de 2026·6 min de leitura

Para cobrar consultas e avenças sem conferir transferências, a clínica envia a cada paciente um email com uma referência Multibanco, um pedido MB Way e a opção de pagar com Apple Pay ou Google Pay; o serviço de pagamentos avisa o sistema quando o dinheiro entra, a consulta fica marcada como paga sem ninguém abrir o extrato, e a fatura é criada e enviada nesse momento. É assim que já funciona num consultório de psicologia, e é o que este artigo explica passo a passo, incluindo o que custa em taxas.

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O dia 30

Dia 30. A terapeuta mandou o valor do mês a doze pacientes, um a um, por WhatsApp. Dia 2, tinham entrado sete transferências, três delas sem nome no descritivo. Dia 5, ainda estava a abrir o extrato para perceber quem tinha pago e quem não. Entretanto, duas pessoas já tinham perguntado pela fatura.

Isto é o fim de mês de muita clínica pequena que trabalha à avença, ou seja, um valor fixo por mês que cobre as sessões desse mês, comum em psicologia e em fisioterapia de continuidade. E é igual para quem cobra consulta a consulta, só que espalhado pelo mês inteiro: cada consulta, uma transferência, uma conferência.

O problema não é o dinheiro. Quase toda a gente paga. O problema é que alguém que devia estar a dar consultas passa horas a fazer contabilidade de extrato, e que ninguém sabe, num dado momento, quanto está por receber.

O que muda quando a cobrança vai por email

A ideia é simples: em vez de a terapeuta mandar o valor, o sistema manda. No dia definido, cada paciente recebe um email com o valor do mês (ou da consulta) e três formas de pagar ali mesmo: uma referência Multibanco, com entidade, referência e valor, para pagar no homebanking ou na caixa; um pedido MB Way, que chega ao telemóvel e se aprova com o PIN; e Apple Pay ou Google Pay, para quem paga com o telemóvel.

Por trás está um serviço de pagamentos, ou seja, a empresa que fica entre o banco do paciente e a conta da clínica e que avisa o sistema no momento em que o dinheiro entra. É esse aviso que faz a diferença: a consulta, ou o mês, fica marcada como paga sozinha. Ninguém abre o extrato. Ninguém compara nomes.

Quem não pagou até à data também não precisa de ser perseguido à mão. O sistema sabe quem falta e manda um lembrete, simpático, com o mesmo link. E o dono olha para o painel e vê, num dado dia, o que já entrou e o que está por receber, sem perguntar a ninguém.

A fatura sai ao pagar

Terça, 9h07. "Bom dia, podes mandar-me a fatura de setembro?" A quarta pessoa a pedir esta semana. Cada pedido são cinco minutos: ir buscar o NIF, emitir, descarregar, anexar, enviar. Cinco minutos vezes quarenta pacientes por mês dá uma tarde inteira.

Quando a cobrança e a faturação estão ligadas, a fatura sai no momento em que o pagamento fica confirmado. No consultório de psicologia onde isto já corre, é criada no portal das finanças, guardada na pasta do paciente e enviada para o email dele, tudo no mesmo minuto. Acaba a conversa da fatura, porque a pessoa já a tem antes de se lembrar de pedir.

Um pormenor que poupa muitas mensagens: os dados de faturação são preenchidos pelo próprio paciente, por um link, na primeira vez. O NIF fica na ficha e não se volta a pedir. Cada clínica fatura à sua maneira, como profissional independente ou como empresa, e é isso que se define no arranque.

O que isto custa: as taxas, sem rodeios

Não é grátis, e prefiro dizer-te o número. Os serviços de pagamento que fazem isto cobram, regra geral, entre 0,5% e 1% por transação, consoante o método. Numa avença de 300 euros são 1,50 a 3 euros. Numa consulta de 50 euros, entre 25 e 50 cêntimos. Alguns serviços juntam um valor fixo pequeno por transação, por isso convém ler a tabela de preços antes de escolher.

A transferência bancária tem taxa zero, é verdade. Mas repara no que custa em tempo: as horas do dia 5 a conferir extratos, as mensagens a perguntar quem pagou, a fatura pedida quatro vezes. Faz a conta com o valor da hora de quem faz isso na tua clínica. Numa clínica com doze avenças de 300 euros, as taxas do mês ficam entre 18 e 36 euros.

E há o outro lado da conta: quem recebe um pedido MB Way no telemóvel paga naquele momento. Quem recebe um IBAN por WhatsApp paga quando se lembrar.

Cobrar à mão ou por email: a comparação

A tabela resume o que muda em cada passo do mês.

À mão (WhatsApp e transferência)Por email (Multibanco, MB Way, Apple Pay, Google Pay)
Quem envia o valorA terapeuta ou a receção, um a umO sistema, no dia definido, a todos
Como o paciente pagaTransferência quando se lembraNo telemóvel, no momento em que abre o email
Quem confirma que entrouAlguém a abrir o extrato e a comparar nomesO serviço de pagamentos avisa e fica marcado como pago
FaturaEmitida à mão quando alguém pedeCriada e enviada no momento do pagamento
Quem não pagouDescobre-se dias depois e persegue-se por mensagemO sistema sabe e manda o lembrete com o mesmo link
Custo por transaçãoZero em dinheiro, horas em tempoEntre 0,5% e 1%, ou seja, 1,50 a 3 euros numa avença de 300 euros
O que o dono sabe a meio do mêsPouco, até alguém fazer as contasQuanto entrou e quanto está por receber, no painel

Por onde começar

A parte técnica não é a que demora. O que demora é decidir as regras, e a maior parte das clínicas nunca se sentou a pensar nelas. Quando monto isto para uma clínica, a reunião de arranque é sobretudo para responder a estas perguntas; depois, o sistema cumpre as regras todos os meses sem ninguém se lembrar:

  • Cobram por consulta ou à avença? As duas coisas podem coexistir, por exemplo avença em psicologia e consulta a consulta em nutrição.
  • Em que dia sai o email da avença: dia 1, dia 25 do mês anterior, ou depois da primeira sessão do mês?
  • O que acontece a uma sessão desmarcada com menos de 24 horas: conta, não conta, conta a metade?
  • A avença desce quando o paciente vai de férias, ou é fixa os doze meses?
  • Quem fatura: cada profissional em nome próprio, ou a clínica?
  • Quantos pacientes ainda não têm NIF na ficha? É a primeira coisa a pedir por link.

Perguntas frequentes

Posso cobrar por referência Multibanco sem ter um terminal de pagamento (TPA)?

Sim. A referência Multibanco é gerada pelo serviço de pagamentos e o paciente paga-a no homebanking, na app do banco ou numa caixa. O terminal serve para pagar presencialmente com cartão; para cobrar à distância não é preciso.

E se um paciente preferir continuar a pagar por transferência?

Pode. Nesse caso alguém marca a consulta como paga à mão quando vê a transferência, e a fatura sai nesse momento. Só perdes a confirmação automática para essa pessoa. Na prática, quando o email chega com MB Way, quase toda a gente passa a pagar por ali.

As taxas compensam para uma clínica pequena?

Faz a conta com os teus números. Doze avenças de 300 euros são 3.600 euros por mês e entre 18 e 36 euros de taxas. Se quem confere transferências e emite faturas gasta mais do que uma hora por mês nisso, já compensa, e normalmente são várias.

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